Tese compara ação antimicrobiana de duas espécies de alho com antibiótico PDF Imprimir E-mail
Escrito por Conbrafito   
Qui, 02 de Junho de 2011 13:27

Evidências apontam que o alho começou a ser utilizado em diversas culturas, há mais de seis mil anos. Além de seu uso culinário, também é utilizado como medicamento para as mais variadas moléstias – há registros de seu emprego como medicamento desde a época dos faraós. Além disso, diversos estudos que tratam da atividade terapêutica deste condimento, devido a suas propriedades imunoestimulante, antiteroscloróticas, anticancerígenas e antimicrobianas. Atualmente seu poder terapêutico é reconhecido pelo Ministério da Saúde e pela Food and Drug Administration (FDA; que seria uma espécia de vigilância Sanitária norte- americana).
Apesar de alguns trabalhos serem conflitantes, muitas pesquisas sugerem resultados positivos do uso do alho contra diversas doenças. Um trabalho recente, a tese de doutorado “ Composição química e atividade antimicrobiana de extratos à base de alho sobre a infecção estafilocócica”, analisou a composição química e a atividade antimicrobiana de extratos à base de dois tipos de alho: um comumente consumido no Brasil (Allium tuberosum).

O autor da tese, o Professor de química do Colégio Técnico de Campinas da Universidade de Campinas (Cotil/ Unicamp), Paulo Cesat Venâncio, analisou as atividades antimicrobianas dessas espécies de alho em ratos, comparando-as com o famoso antibiótico amoxicilina. O estudo foi realizado na faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP/ UNICAMP) e orientado pelo professor Francisco Carlos Groppo , do Departamento de Ciências Fisiológicas. “ Provocamos uma infecção com estafilococos (Staplylococcus aureus) – uma bactéria perigosa que está presente na pele e em mucosas – em ratos, e administramos os extratos por via oral. Utilizamos a amoxicilina, que é um antibiótico bem conhecido, para estimar o efeito dos extratos de alho”, conta Venâncio.
A escolha de estafilococos foi motivada pelo fato de que a bactéria, ao encontrar condições favoráveis, pode entrar na corrente sanguínea e se alojar em diversos órgãos e tecidos, e causar sérios efeitos para o indivíduo.

O que diferencia este trabalho dos já existentes é exatamente a escolha das bactérias Staplylococcus aureus, que são as mais responsáveis pelas infecções hospitalares. Além disso, a seleção do alho japonês se deu porque sua ação é pouco conhecida e existem poucos estudos sobre ele.

A razão da pesquisa se deve ao fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter lançado em 2010 uma relação de plantas medicinais em que destaca o alho como tradicionalmente considerado antisséptico.

O objetivo principal do estudo, no entanto, foi avaliar in vivo a atividade entimicrobiana de extratos de duas espécies de alho sobre a infecção estafilocócia em ratos. Ao mesmo tempo, foram analisadas as mesmas atividades in vitro (com bactérias cultivadas em laboratório). Com as duas formas de estudo foi possível comparar e sugerir eventuais efeitos fisiológicos sobre os animais.

Resultados

De acordo com Venâncio os testes mostraram que o alh0o nirá (Alliun tuberosum) não mata a bactéria, mesmo com altas concentrações, quando este é colocado diretamente em contato com ela. Entretanto, quando administrado ao animal, ajudou a praticamente aniquilar a infecção após 24 horas, de forma muito similar a amoxicilina. Já o alho comum (Allium sativum), além de matar a bactéria por contato direto, também foi capaz de quase aniquilar a bactéria depois de 24 horas. “ Estes efeitos foram dependentes da dose, isto é, quanto maior a quantidade de alho administrada no animal, maior foi o efeito observado”.

O professor explica pelo estudo ainda não dá para ter certeza sobre como o alho atua matando a bactéria. “ O objetivo primário era observar se o extrato conseguiria atingir a bactéria, a partir da administração por via oral. Para que isso pudesse ocorrer, algum composto ou molécula (ainda não sabemos qual ou quais ) do alho deveria ser absorvido pelo organismo e ser transportado até o local onde as bactérias estavam. É assim que a amoxicilina atua”, detalha.

O trabalho foi orientado na busca de uma alternativa para combater as infecções bacterianas mais incidentes hoje. “ Embora tenha um estudo em animais e não tenhamos trabalhado com moléculas isoladas, acreditamos que os alhos estudados mereçam maior atenção, pois poderão se constituírem importantes agentes para ajudar no efeito dos antibióticos. Como é de amplo conhecimento, os antibióticos estão a cada dia perdendo seu efeito contra as bactérias, mesmo as mais comuns. Além disso, criar um novo antibiótico é extremamente caro e demorado. No futuro próximo, estudaremos a associação destes extratos, mesmo na forma bruta, com antibióticos que perderam efeito. É possível que o efeito aditivo dos extratos seja capaz de recuperar a atividade destes antibióticos “, Finaliza.

Suco de alho.

Qualquer pessoa pode fazer um extrato de alho, como pode ser verificado na página da internet da própria Anvisa (www.anvisa.gov.br ).
Basta pegar um dente de alho cerca de 500 mg ( meio grama), tritura-lo, colocar a massa macerada em meia xícara de agua e deixar por 20 minutos.

A Anvisa orienta que o ‘suco’ seja consumido no máximo duas vezes ao dia, junto com as refeições. Segundo Venâncio, o alho é composto de enxofre, elemento que provoca fermentação no estômago, e é responsável pelo cheiro ruin, forte. Ao ingerir o ‘suco’ junto com o alimento é possível minimizar o hálito constrangedor. O pesquisador reforça que ao tomar o composto nas refeições a pessoa está ingerindo um excelente antimicrobiano.

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